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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Como é uma anoréctica?

As anorécticas e bulímicas tendem a ser perfeitas e estão sempre insatisfeitas consigo próprias. Há sempre qualquer coisa que têm medo que não esteja bem, que não agrade aos outros, que as faça errar. O facto de estas raparigas serem perfeccionistas não significa que façam tudo na perfeição. Mas significa que elas pretendem que tudo saia perfeito. E isto tem pelo menos duas consequências. Elas só se meterão a fazer algo de que estejam convictas de que fazem muito bem e deixarão de lado tudo o que poderá sair pior ou em relação ao que se julgam desajeitadas. Elas são as campeãs do branco ou preto, do é ou do não é. Não admitem que as coisas podem ser feitas sem ser a 100 por cento. Na maior parte das vezes, fazem o que se propõem. Mas julgam-se elas superiores, melhores que os outros? Não. Porque elas têm a auto-estima de rastos, elas sentem qualquer crítica como uma destruição. E estão tão preocupadas com o que os outros pensam a respeito delas que estão sempre a tentar ler o pensamento dos outros, para perceberem que juízos estão a fazer a seu respeito.


in Isabel do Carmo, Magros, Gordinhos e Assim-assim

O segundo semestre vai começar. 
Tenho medo...
Vou ter frequência terça-feira.
Tenho medo...
Mas estou a andar. É só isso que interessa. Só isso... um passo atrás do outro. Sempre em frente... quando cair levanto-me e continuo... Um passo atrás do outro. Um passo e mais outro.( Tenho medo. Muito medo... Mas vou continuar.)

Estou a pensar, afinal para onde é que eu vou?
Não sei, não interessa. Desde que não esteje parada está tudo bem. Estou a andar não é?
Então faço bem.

Publicado por Aninhas às 21:46
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De Inês a 4 de Setembro de 2008 às 00:44
acerca do meu internamento, vieram os quatro médicos falar comigo. Disseram-me que ia ser alimentada por sonda e explicaram-me que tinha a ver com o facto do meu índice glicémico estar de tal maneira baixo que eu podia morrer. Tinha posto o meu corpo sobre tanta pressão com a ginástica que a qualquer momento o meu coração podia parar..e passaram-se dois meses. Dois meses em que me apercebi do que realmente tinha. Dois meses em que soube qual era o meu verdadeiro problema e em que, aos poucos, fui aprendendo a confiar nestas quatro pessoas que me acompanharam incansavelmente. Dois meses em que, independentemente do peso que tinha ganho (que não foi muito para dizer a verdade.) aprendi a dar valor a outras coisas. Saí de Coimbra dia 24, uma sexta feira, com a minha mãe e o meu pai. Estava no quarto a arrumar as minhas roupas e a por tudo o que não me servia de lado quando a Dr. Dulce entrou e ao ver o meu cachecol do F.C.P de agarrou a mim a chorar e a pedir-me para eu lutar. A dizer-me de que os males de que fugia estavam em mim. A dizer-me que tinha conhecida muitas meninas como eu e que tinha o direito de ser feliz. E eu, que tantas vezes tinha prometido a mim mesma não chorar mais, sentei-me na cama e senti as lágrimas a caírem de novo..e um sentimento de culpa, de pena, de..nem eu sei, uma sensação de ser uma desilusão, de só arranjar problemas..a minha saída do núcleo foi igualmente complicada mas mal imaginava eu que o mais complicado estava para vir. Quando voltei a casa e às aulas nos dias em que almoçava na escola a minha directora de turma acompanhava-me à cantina. Passaram-se umas semanas e ela passou a confiar em mim e a deixar de me levar lá..e foi quando voltou tudo. Nesta altura já devia pesar uns 57kg mas foi por volta desses dias que percebi como a anorexia ainda estava em mim..porque assim que dei por mim sem alguém a controlar-me voltou tudo. Voltaram os medos, a culpa..às vezes o desespero era tanto que mesmo sabendo que era controlada pelos meus pais escondia comida. E depois claro, batiam-me, gritavam-me, desesperavam, porque no fundo não conseguiam perceber o porquê de eu ser assim O porquê de ter uma imagem tão distorcida das coisas. Uma das coisas de que sinto mais falta é a minha independência. Passei a ser tratada como uma criança de seis anos, seguida para todo o lado, com cem olhos em cima de mim. Sinto-me presa, não só pelo controlo que os outros têm em mim, mas pela maneira como eu própria me controlo. A maneira como me repugno e culpo quando como. Estou a escrever isto hoje, já com 59 kg, ainda com um IMC bastante baixo mas como uma força bem maior que no inicio. Soube do meu peso há uma semana e estou orgulhosa por estar a expô-lo sem pensar: será que vão achar que estou gorda? E quando me perguntam se já estou completamente curada (a pergunta sensação.) a minha resposta é sempre a mesma: é uma coisa que faz parte do meu passado. E, como tudo o que está preso ao passado não nos larga, duvido que algum dia consiga dizer ‘não me lembro do que é ser anoréctica ‘. Mas hoje sou mais feliz. Aprendi a dar valor a outras coisas..uma delas a dar valor a mim mesma. A ser individualista, a amar-me, a olhar pelo meu umbigo acima de tudo. E é esta, parte da história da minha anorexia. Estou aqui a partilhá-la com um único objectivo..para todas as raparigas que leiam esta revista e que estejam a passar por isto para pedirem ajuda. Porque há uma parte de nós que quer sempre curar-se. E lembrem-se: a Ana não existe. Os males de que fugimos, estão em nós.

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Tive uma anorexia nervosa com crises bulímicas tratada e cuidada no HUC, onde ainda estou a ser acompanhada. Consegui atingir todos os meus objectivos, sou feliz e deixo aqui o meu testemunho em como é POSSÍVEL acabar com todo o sofrimento e dor que esta doença me trouxe.

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