Um testemunho de como é possível destruir esta terrível doença e ser FELIZ!

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Como é uma anoréctica?

As anorécticas e bulímicas tendem a ser perfeitas e estão sempre insatisfeitas consigo próprias. Há sempre qualquer coisa que têm medo que não esteja bem, que não agrade aos outros, que as faça errar. O facto de estas raparigas serem perfeccionistas não significa que façam tudo na perfeição. Mas significa que elas pretendem que tudo saia perfeito. E isto tem pelo menos duas consequências. Elas só se meterão a fazer algo de que estejam convictas de que fazem muito bem e deixarão de lado tudo o que poderá sair pior ou em relação ao que se julgam desajeitadas. Elas são as campeãs do branco ou preto, do é ou do não é. Não admitem que as coisas podem ser feitas sem ser a 100 por cento. Na maior parte das vezes, fazem o que se propõem. Mas julgam-se elas superiores, melhores que os outros? Não. Porque elas têm a auto-estima de rastos, elas sentem qualquer crítica como uma destruição. E estão tão preocupadas com o que os outros pensam a respeito delas que estão sempre a tentar ler o pensamento dos outros, para perceberem que juízos estão a fazer a seu respeito.


in Isabel do Carmo, Magros, Gordinhos e Assim-assim

O segundo semestre vai começar. 
Tenho medo...
Vou ter frequência terça-feira.
Tenho medo...
Mas estou a andar. É só isso que interessa. Só isso... um passo atrás do outro. Sempre em frente... quando cair levanto-me e continuo... Um passo atrás do outro. Um passo e mais outro.( Tenho medo. Muito medo... Mas vou continuar.)

Estou a pensar, afinal para onde é que eu vou?
Não sei, não interessa. Desde que não esteje parada está tudo bem. Estou a andar não é?
Então faço bem.

Publicado por Aninhas às 21:46
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De Inês a 4 de Setembro de 2008 às 00:43
Quando me pediram para escrever sobre a minha anorexia foi inevitável não pensar previamente sobre que iria eu falar..o que sinto é infindável mas as palavras traem-nos nestas alturas e sinto-me mesmo sem saber o que dizer. Tudo começou há dez meses atrás! Dez meses que pareceram dez anos..cem anos! Apesar de eu ser apologista de que as pessoas nascem com um gene especial que faz com que mais tarde se venham a transformar em seres humanos com distúrbios alimentares, acredito que se sou assim é por culpa minha. Quis começar a comer menos porque comi sempre muito. Muitos bolos, muitas batatas fritas, muitos hambúrgueres, muitos molhos, muitas salsichas, etc..tinha mudado de escola e almoçava duas vezes por semana lá. Comecei por deixar de lado os croissants e passar para as bolachas integrais. Deixei os almoços grandes e passei para as sopas e pães com panados. Até que um dia, sem me aperceber de quanto tempo tinha passado, se muito, se pouco, dei por mim a comer uma maça às 2.05h e mais nada. Era isto a minha alimentação diária: uma maça e muita fome. Óbvio que emagreci..emagreci um pouco. Alguns kg, uns 10! Nem vale a pena dizer como fiquei..mas como eu digo sempre que me falam de anorexia, de bulimia, ou de qualquer outro distúrbio deste género os estragos maiores não se revelam por fora. Foi uma fase horrível da minha vida..em que chorava todos os dias, em que gritava todos os dias, em que me apetecia matar-me todos os dias. Foi uma fase horrível, não só pelo que estava a fazer ao meu corpo mas mais pelo que eu sentia dentro de mim, a minha cabeça, os meus pensamentos, todos os fantasmas que me perseguiam..durante meses os meus pensamentos diários baseavam—se em comida. Não havia um segundo em que não pensasse nela. No que tinha comido. No que tinha de comer. Nas calorias que tinha ingerido. Nos abdominais que tinha de fazer. No açúcar que tinha ingerido. Perdi a conta aos dias em que entrei dentro do comboio que me levava à escola todas as manhãs com as lágrimas nos olhos e com as mãos fechadas a fazer força como que a culpar-me de ser assim, de ser gorda, de ter gordura, de não ter ossos e de mais sei lá o que..às vezes chegava das aulas e em vez de ir para casa ia à praia no inverno, a chover, ver o mar..e lembro-me de uma vez ter chorado durante 65 minutos..sem parar. Sempre que parava e pousava a cabeça voltava aquele choro incessante, aquela raiva enorme que me atazanava, que me prendia, que me matava. Quando os meus pais notaram eu já pesava 52kg..o que para uma pessoa com 1.80m não é propriamente saudável. E foi quando me levaram para Coimbra em busca duma médica salvadora que fosse capaz de me tratar..e lembro-me de estar no carro a ir para Coimbra e das lágrimas me caírem da cara com uma velocidade alucinante..a minha mãe a pedir-me para chorar, o meu pai punha as mãos à cabeça e só dizia porquê, porquê..e eu olhava para os meus cabelos que na altura já me davam pelo peito e agarrava-os com uma vontade enorme de os arrancar. Quando chegamos ao núcleo de distúrbios alimentares do hospital universitário de Coimbra a primeira pessoa que me apresentaram foi o Dr. José Pinto Gouveia que tinha uma bata branca onde estava cozido a linha azul escuro o titulo: Psiquiatra. Sabia perfeitamente o porquê de estar ali..mas, e ao contrário de todas as anorécticas, eu queria tratar-me, queria-me livrar daquilo tudo..porque sentia-me fraca e não era só o facto de estar fraca. Era mesmo sentir que a doença estava mais forte que eu, que eu tinha-me rendido completamente..foi quando me apresentaram à Dr. Cláudia Ferreira e à Dr. Dulce. Longe estava eu de imaginar a amizade que travaria com estas duas pessoas..se há males que vêm por bem este foi um deles. A despedida dos meus pais foi o pior momento pelo qual alguma vez tive de passar..foi o momento mais triste da minha vida. Estávamos todos as chorar e eu com os cotovelos por cima dos meus joelhos a segurar a cabeça sentada numa cadeira giratória, a minha mãe a sair do consultório com as lágrimas a escorrerem-lhe, o meu pai branco a tentar-me agarrar na minha mão..foi uma imagem indescritível. Quando se foram embora eu continuava a chorar. A Dr. Cláudia levou-me para o meu quarto e nesse dia não os voltei a ver. No dia seguinte, o único dia que faço questão de relatar acerca
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Tive uma anorexia nervosa com crises bulímicas tratada e cuidada no HUC, onde ainda estou a ser acompanhada. Consegui atingir todos os meus objectivos, sou feliz e deixo aqui o meu testemunho em como é POSSÍVEL acabar com todo o sofrimento e dor que esta doença me trouxe.

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