Um testemunho de como é possível destruir esta terrível doença e ser FELIZ!

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Como é uma anoréctica?

As anorécticas e bulímicas tendem a ser perfeitas e estão sempre insatisfeitas consigo próprias. Há sempre qualquer coisa que têm medo que não esteja bem, que não agrade aos outros, que as faça errar. O facto de estas raparigas serem perfeccionistas não significa que façam tudo na perfeição. Mas significa que elas pretendem que tudo saia perfeito. E isto tem pelo menos duas consequências. Elas só se meterão a fazer algo de que estejam convictas de que fazem muito bem e deixarão de lado tudo o que poderá sair pior ou em relação ao que se julgam desajeitadas. Elas são as campeãs do branco ou preto, do é ou do não é. Não admitem que as coisas podem ser feitas sem ser a 100 por cento. Na maior parte das vezes, fazem o que se propõem. Mas julgam-se elas superiores, melhores que os outros? Não. Porque elas têm a auto-estima de rastos, elas sentem qualquer crítica como uma destruição. E estão tão preocupadas com o que os outros pensam a respeito delas que estão sempre a tentar ler o pensamento dos outros, para perceberem que juízos estão a fazer a seu respeito.


in Isabel do Carmo, Magros, Gordinhos e Assim-assim

O segundo semestre vai começar. 
Tenho medo...
Vou ter frequência terça-feira.
Tenho medo...
Mas estou a andar. É só isso que interessa. Só isso... um passo atrás do outro. Sempre em frente... quando cair levanto-me e continuo... Um passo atrás do outro. Um passo e mais outro.( Tenho medo. Muito medo... Mas vou continuar.)

Estou a pensar, afinal para onde é que eu vou?
Não sei, não interessa. Desde que não esteje parada está tudo bem. Estou a andar não é?
Então faço bem.

Publicado por Aninhas às 21:46
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10 comentários:
De cris a 7 de Fevereiro de 2008 às 09:58
Fico muito contente que estejas a andar para algum lado e tenho a certeza de que estás a andar na direcção certa, ainda que este seja um caminho com muitas curvas e obstáculos, que às vezes nos dão a sensação de nos termos enganado. Mas acredita em ti. O medo... Acho que vivemos disso, especialmente quando estamos decididas a avançar na cura. É um percurso que não conhecemos e em que sabemos que podemos cair a qualquer momento. Mas o medo deve ser só o necessário para nos mantermos "alerta" e não facilitarmos em relação às "armadilhas" da dieta. Não podemos deixar que seja um medo que nos imobilize.
Pensa que tu és capaz, e tu sabes isso. As tuas palavras mostram que estás determinada e no bom caminho, por isso és capaz. Se as coisas vão acontecer da forma "perfeita"? Não, claro que não, porque para nós a perfeição não existe, está sempre para além do melhor que conseguimos fazer. Mas não é mau não sermos perfeitas. Queres ser perfeita nos testes, e tapar a tua "perfeição" interior? Tapar uma alegria "inocente" e despreocupada, que deviamos ter, mas que não deixamos vir ao de cima? Não vale a pena, pois não?
Eu também passo os dias cheia de medo. Medo das calorias, medo de me exceder na próxima refeição, medo de não ser capaz de fazer bem o que quero, medo de ter estragado a minha oportunidade de ser mãe... Eles estão presentes, são "automáticos", mas temos que conseguir afastá-los. Às vezes temos que nos tentar acalmas, repetir mil vezes que há coisas que valem a pena e estão para além destes medos, e, aos poucos, ir eliminando-os. Tem que ser com muita paciência, muita calma, mas "água mole em pedra dura...".
Um beijinho grande para ti
De Blair20 a 7 de Fevereiro de 2008 às 13:29
N sabes ao certo para onde caminhas, mas sabes q é na direcção da cura... Aos poucos, devagar e tropeçando algumas vezes, o q importa é q te levantes smp. 1dia vais chegar ao outro lado para poderes contar como é sair desta doença.
É saudável assumires os teus medos, nós tb os temos... Relativiza-os, tira-lhes poder.
Tem 1bom 2º semestre!
bjinho
De DramaGirl a 7 de Fevereiro de 2008 às 15:10
Não sou anoréctica mas pelos vistos tenho propensão para tal. Identifiquei-me imenso com esse texto. Quantas vezes me aconteceu não querer fazer alguma coisa porque sabia que não ia conseguir ser perfeita e então não fazia. Infelizmente isso prejudica-me bastante na escola !
O importante é que a seguir a uma queda te levantes sempre e continues. Afinal a cura está cada vez mais perto É natural que tenhas medo mas considero-te uma pessoa com muita força por isso acredito que vás conseguir. É essencial é que não mudes a tua maneira de pensar, esse optimisto que já alcançaste. Muitos beijinhos**
De o_meu_outro_eu a 8 de Fevereiro de 2008 às 20:32
Não me interessa para onde vais nem se és capaz ou não. Interessa-me que vais! E só por ires, por caminhares e lutares contra esses medos todos que te assombram, fico cheia de orgulho em ti!
Neste blog, choramos juntas, agora caminhamos juntas e um dia vamos sentir a liberdade por completo, juntas. Não me interessa a presença física, interessa-me que penso em ti com carinho e que de cada vez que venho aqui alegra-se-me o coração.
De nuno a 9 de Fevereiro de 2008 às 17:55
boa sorte para o teu exame! Tens que ter calma, deixar o medo de lado para fazeres uma boa prova. beijos [9 bom fim de semana
De cafécomleite a 18 de Março de 2008 às 23:09
Encontrei-te por acaso e não pude deixar de ler e de rever um pouco a minha hitória...
Hoje estou curada e só gostava de te dizer que acima de tudo o que possas sentir tens que acreditar que és alguém e que não és pior do que ninguém.
O caminho é´dificil...não digo que não.As marcas ficam...é inevitável...uma ex-anoréctica é toda avida uma ex-anoréctica...mas o imprtante é perceberes que só quando decidires mesmo que queres ser anorectica só aí o conseguiras...
Não tens que agradar ninguém tens que te agradar a ti...gostar de ti com o teu bom e o mau e pensar sempre que o que temos é sempre mais do que alguns tem...
Obrigada pelo teu testemunho...
Desculpa a intrusão...
De AB a 19 de Março de 2008 às 18:23
engraçado que ao ler o comentario da cafecomleite fiquei a pensar numa coisa: ela diz, e com razão ,que é a partir do momento em que decidimos nao querer ser anorecticas que começa a nossa recuperaçao... eu dizia, na minha fragilidade toda, que nao sabia o que queria, mas sabia mt bem o que nao queria e nao queria aquela doença para mim nem para ninguem. Só que acho que enquanto ela - doença - me deu alguma compensaçao eu fui ficando ali aconchegada a ela, mais tarde zangada com ela mas sem conseguuir deixa-la .. depois, quando vi que a UNica compensaçao que me dava - corpo aceitavel segundo o meu criterio (magro, bem magro hoje vejo) - pedia demasiados sacrificios, começei a tentar perceber o que realmente me esperava do lado de lá da doença.. começei a perceber que essa unica compensaçao podia e deveria ser dada de forma saudavel e nao destrutiva... o processo todo começa aí penso eu: quando a doença deixa de COMPENSAR!!
pensem nisso, nao vale a pena acreditem sacrificar o nosso corpo, escaraviza-lo, quando podemos conseguir um corpo magro e saudavel sem perder a nossa saude mental e ainda por cima sermos mt mas mt felizes!!!
bjs
De Inês a 4 de Setembro de 2008 às 00:43
Quando me pediram para escrever sobre a minha anorexia foi inevitável não pensar previamente sobre que iria eu falar..o que sinto é infindável mas as palavras traem-nos nestas alturas e sinto-me mesmo sem saber o que dizer. Tudo começou há dez meses atrás! Dez meses que pareceram dez anos..cem anos! Apesar de eu ser apologista de que as pessoas nascem com um gene especial que faz com que mais tarde se venham a transformar em seres humanos com distúrbios alimentares, acredito que se sou assim é por culpa minha. Quis começar a comer menos porque comi sempre muito. Muitos bolos, muitas batatas fritas, muitos hambúrgueres, muitos molhos, muitas salsichas, etc..tinha mudado de escola e almoçava duas vezes por semana lá. Comecei por deixar de lado os croissants e passar para as bolachas integrais. Deixei os almoços grandes e passei para as sopas e pães com panados. Até que um dia, sem me aperceber de quanto tempo tinha passado, se muito, se pouco, dei por mim a comer uma maça às 2.05h e mais nada. Era isto a minha alimentação diária: uma maça e muita fome. Óbvio que emagreci..emagreci um pouco. Alguns kg, uns 10! Nem vale a pena dizer como fiquei..mas como eu digo sempre que me falam de anorexia, de bulimia, ou de qualquer outro distúrbio deste género os estragos maiores não se revelam por fora. Foi uma fase horrível da minha vida..em que chorava todos os dias, em que gritava todos os dias, em que me apetecia matar-me todos os dias. Foi uma fase horrível, não só pelo que estava a fazer ao meu corpo mas mais pelo que eu sentia dentro de mim, a minha cabeça, os meus pensamentos, todos os fantasmas que me perseguiam..durante meses os meus pensamentos diários baseavam—se em comida. Não havia um segundo em que não pensasse nela. No que tinha comido. No que tinha de comer. Nas calorias que tinha ingerido. Nos abdominais que tinha de fazer. No açúcar que tinha ingerido. Perdi a conta aos dias em que entrei dentro do comboio que me levava à escola todas as manhãs com as lágrimas nos olhos e com as mãos fechadas a fazer força como que a culpar-me de ser assim, de ser gorda, de ter gordura, de não ter ossos e de mais sei lá o que..às vezes chegava das aulas e em vez de ir para casa ia à praia no inverno, a chover, ver o mar..e lembro-me de uma vez ter chorado durante 65 minutos..sem parar. Sempre que parava e pousava a cabeça voltava aquele choro incessante, aquela raiva enorme que me atazanava, que me prendia, que me matava. Quando os meus pais notaram eu já pesava 52kg..o que para uma pessoa com 1.80m não é propriamente saudável. E foi quando me levaram para Coimbra em busca duma médica salvadora que fosse capaz de me tratar..e lembro-me de estar no carro a ir para Coimbra e das lágrimas me caírem da cara com uma velocidade alucinante..a minha mãe a pedir-me para chorar, o meu pai punha as mãos à cabeça e só dizia porquê, porquê..e eu olhava para os meus cabelos que na altura já me davam pelo peito e agarrava-os com uma vontade enorme de os arrancar. Quando chegamos ao núcleo de distúrbios alimentares do hospital universitário de Coimbra a primeira pessoa que me apresentaram foi o Dr. José Pinto Gouveia que tinha uma bata branca onde estava cozido a linha azul escuro o titulo: Psiquiatra. Sabia perfeitamente o porquê de estar ali..mas, e ao contrário de todas as anorécticas, eu queria tratar-me, queria-me livrar daquilo tudo..porque sentia-me fraca e não era só o facto de estar fraca. Era mesmo sentir que a doença estava mais forte que eu, que eu tinha-me rendido completamente..foi quando me apresentaram à Dr. Cláudia Ferreira e à Dr. Dulce. Longe estava eu de imaginar a amizade que travaria com estas duas pessoas..se há males que vêm por bem este foi um deles. A despedida dos meus pais foi o pior momento pelo qual alguma vez tive de passar..foi o momento mais triste da minha vida. Estávamos todos as chorar e eu com os cotovelos por cima dos meus joelhos a segurar a cabeça sentada numa cadeira giratória, a minha mãe a sair do consultório com as lágrimas a escorrerem-lhe, o meu pai branco a tentar-me agarrar na minha mão..foi uma imagem indescritível. Quando se foram embora eu continuava a chorar. A Dr. Cláudia levou-me para o meu quarto e nesse dia não os voltei a ver. No dia seguinte, o único dia que faço questão de relatar acerca
De Inês a 4 de Setembro de 2008 às 00:44
acerca do meu internamento, vieram os quatro médicos falar comigo. Disseram-me que ia ser alimentada por sonda e explicaram-me que tinha a ver com o facto do meu índice glicémico estar de tal maneira baixo que eu podia morrer. Tinha posto o meu corpo sobre tanta pressão com a ginástica que a qualquer momento o meu coração podia parar..e passaram-se dois meses. Dois meses em que me apercebi do que realmente tinha. Dois meses em que soube qual era o meu verdadeiro problema e em que, aos poucos, fui aprendendo a confiar nestas quatro pessoas que me acompanharam incansavelmente. Dois meses em que, independentemente do peso que tinha ganho (que não foi muito para dizer a verdade.) aprendi a dar valor a outras coisas. Saí de Coimbra dia 24, uma sexta feira, com a minha mãe e o meu pai. Estava no quarto a arrumar as minhas roupas e a por tudo o que não me servia de lado quando a Dr. Dulce entrou e ao ver o meu cachecol do F.C.P de agarrou a mim a chorar e a pedir-me para eu lutar. A dizer-me de que os males de que fugia estavam em mim. A dizer-me que tinha conhecida muitas meninas como eu e que tinha o direito de ser feliz. E eu, que tantas vezes tinha prometido a mim mesma não chorar mais, sentei-me na cama e senti as lágrimas a caírem de novo..e um sentimento de culpa, de pena, de..nem eu sei, uma sensação de ser uma desilusão, de só arranjar problemas..a minha saída do núcleo foi igualmente complicada mas mal imaginava eu que o mais complicado estava para vir. Quando voltei a casa e às aulas nos dias em que almoçava na escola a minha directora de turma acompanhava-me à cantina. Passaram-se umas semanas e ela passou a confiar em mim e a deixar de me levar lá..e foi quando voltou tudo. Nesta altura já devia pesar uns 57kg mas foi por volta desses dias que percebi como a anorexia ainda estava em mim..porque assim que dei por mim sem alguém a controlar-me voltou tudo. Voltaram os medos, a culpa..às vezes o desespero era tanto que mesmo sabendo que era controlada pelos meus pais escondia comida. E depois claro, batiam-me, gritavam-me, desesperavam, porque no fundo não conseguiam perceber o porquê de eu ser assim O porquê de ter uma imagem tão distorcida das coisas. Uma das coisas de que sinto mais falta é a minha independência. Passei a ser tratada como uma criança de seis anos, seguida para todo o lado, com cem olhos em cima de mim. Sinto-me presa, não só pelo controlo que os outros têm em mim, mas pela maneira como eu própria me controlo. A maneira como me repugno e culpo quando como. Estou a escrever isto hoje, já com 59 kg, ainda com um IMC bastante baixo mas como uma força bem maior que no inicio. Soube do meu peso há uma semana e estou orgulhosa por estar a expô-lo sem pensar: será que vão achar que estou gorda? E quando me perguntam se já estou completamente curada (a pergunta sensação.) a minha resposta é sempre a mesma: é uma coisa que faz parte do meu passado. E, como tudo o que está preso ao passado não nos larga, duvido que algum dia consiga dizer ‘não me lembro do que é ser anoréctica ‘. Mas hoje sou mais feliz. Aprendi a dar valor a outras coisas..uma delas a dar valor a mim mesma. A ser individualista, a amar-me, a olhar pelo meu umbigo acima de tudo. E é esta, parte da história da minha anorexia. Estou aqui a partilhá-la com um único objectivo..para todas as raparigas que leiam esta revista e que estejam a passar por isto para pedirem ajuda. Porque há uma parte de nós que quer sempre curar-se. E lembrem-se: a Ana não existe. Os males de que fugimos, estão em nós.

De Inês a 4 de Setembro de 2008 às 00:44
Quis transcrever isto para aqui porque acho q não ias ter oportunidade de ler na revista onde escrevi..e queria q lesses. Porqe apesar de tdo pensei nele durante algum tempo :)

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Tive uma anorexia nervosa com crises bulímicas tratada e cuidada no HUC, onde ainda estou a ser acompanhada. Consegui atingir todos os meus objectivos, sou feliz e deixo aqui o meu testemunho em como é POSSÍVEL acabar com todo o sofrimento e dor que esta doença me trouxe.

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